PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO!

Graças à quantidade obscena, absurda, bizarra, inimaginável e sem precedentes de PROCESSOS JUDICIAIS contra HUMORISTAS no Brasil, cabe aqui uma rápida explicação.

Existe um termo em inglês, muito utilizado e bastante comum entre os comediantes norte-americanos, que é o “SHOCK VALUE“, algo que poderia ser traduzido como “valor de impacto” ou de “choque”.

Basicamente, é quando o comediante utiliza o recurso da frase de efeito apenas para causar uma reação emocional, ou até mais visceral, na plateia. A intenção, nestes casos, além do flagrante exagero, é chamar a atenção para o fato de que nós, seres humanos, somos capazes de imaginar situações um tanto ou quanto surreais, porém temos (ou deveríamos ter) o mínimo de discernimento para “separar as coisas”, ou seja, de um lado o “exagero” de uma frase dita DURANTE A APRESENTAÇÃO DE UM SHOW DE HUMOR, de outro, a vida real, besta e cotidiana.

Infelizmente, não é o caso. As redes sociais, grupos de whatsapp etc. deram voz e vez aos idiotas, aproveitadores, falsos moralistas e toda sorte de infelizes “de caráter duvidoso”, pra dizer o mínimo. São pessoas que essencialmente se consideram acima das demais, tanto endeusando seus pseudodiscursos de “vítima” quanto apontando o dedo e julgando com ódio e fúria seus “inimigos”.

Até aí, “tudo bem”. Imbecis que se consideram ‘donos da verdade’, com a empáfia típica dos que se acham “acima do bem do mal” sempre existiram. O maior problema, hoje em dia, é que os grandes veículos de “imprensa” resolveram “surfar” a onda do mau caratismo, da falta de contexto, ou como preconizava Renato Russo, resolveram enfim “celebrar a estupidez humana”. (“Perfeição”, 1993.)

“Então, o que fazer?”

Uai, simples. Saber que, assim como aconteceu nos Estados Unidos, em algum momento o “jogo vira” e as pessoas passam a compreender a diferença entre uma apresentação de comédia “versus” a vida real.

“Mas como?”. Bom, apesar de ser fácil constatar que atualmente as pessoas estão mais burras do que nunca – vide a existência de Bolsominions e “Lulopetistas” – você, que é comediante, precisa estar disposto a tomar algumas atitudes básicas durante seus shows.

  1. Faça da forma mais óbvia, clara e escancarada possível a observação de que tudo que você disser naquele momento NÃO poderá ser usado contra você no tribunal, porque aquele ali não é exatamente “você”. Se for o caso explique em poucas palavras o conceito de “persona”;
  2. QUEIRA SER PRESO! Eu sei que essa é um pouquinho mais difícil. Mas, acredite, “querer ser preso” é… Libertador! (pun intended) Até hoje somente o Danilo Gentili se predispôs a arcar com alguma consequência do que fala. Porém, acredito que ele também já deva ter arcado com as custas de uma meia dúzia de processos.
  3. Tire todos os bens materiais, móveis e imóveis do seu nome, esteja disposto a assinar declarações de hipossuficiência de renda (já assinei várias, acredite, não dói nada), ou seja, deixe bastante claro para qualquer filho da p… que estiver te processando que não, você não tem uma vida melhor do que a de ninguém e que, portanto, ninguém precisa ter inveja de você (mesmo que precisem, mas isso aí já são outros quinhentos!)
  4. E, finalmente, talvez o mais importante. Estabeleça durante o show que as únicas pessoas que podem reclamar de alguma coisa são aquelas que foram o alvo da ZUEIRA do momento da apresentação! Ninguém mais. Porém, se elas obviamente se divertiram na ocasião, perdem automaticamente o direito ao mimimi pós-evento.

E lembre-se sempre. Você realmente acha que o Lenny Bruce tinha permissão para LER NO PALCO os detalhes mais engraçados dos autos dos processos que recebeu, incluindo obviamente os nomes dos acusadores??? Claro que não. Tanto que frequentemente era escoltado no meio do show por policiais que muitas vezes viravam fãs e amigos dele!

To make a long story short (para resumir a história)… Até onde você está disposto a ir para superar a jumentice galopante (termo técnico) de uma patrulha de idiotas que provavelmente nunca serão público de um show de stand-up comedy?

DICA BÔNUS:

Troque ideia com seus colegas! Fica mais fácil traçar um perfil dos mimizentos e mimizentas de plantão! Daí é só enumerar as características deles e delas, falar sobre cada uma no palco e pronto! Já tenho até uma indicação: véias. (e sim, estou no meu ‘lugar de fala’ pois já fui processado por uma e espancado por outra…).

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