Sonho com… Danilo Gentili?

Nunca troquei mais de meia dúzia de palavras com o Danilo Gentili. Nos áureos tempos do Orkut, quando existia lá uma comunidade sobre “humor stand-up e improvisação”, chegamos a “conversar” brevemente por mensagem de texto. Na ocasião – nunca vou me esquecer! – ele disse algo como: “- cara, um dia quero ser igual a você, viver só de comédia!”. Mal sabia ele que não, eu não “vivia só de comédia”, sequer sobrevivia, também não trabalhava e dependia dos meus pais para tudo, tentando sobreviver na capital mineira. De lá para cá, tudo mudou. Não vivo mais na capital mineira.

Em outra oportunidade, após um show dele no MinasCentro, acabamos nos esbarrando na saída, quando ele já estava caminhando até a van para voltar para o hotel. “Cara, parabéns pelo show!”. “Poxa, obrigado”. “Ei, vamos trocar ideia um dia, hein, cara?”. “Claro, valeu!”.
Esse “um dia”, claro, nunca chegou. Nem preciso dizer que enquanto ele ganhava fama e reconhecimento nacional, primeiro no Clube da Comédia, no CQC e depois tendo seu próprio programa de entrevistas, tendo dilemas do tipo “será que compro um jatinho azul ou vermelho esta semana?”, meus dilemas continuavam um pouco diferentes ao longo dos anos: “será que compro ração para meus cachorros ou comida para mim este mês?”. Os cachorros, claro, sempre são prioridade. Eles não têm culpa das minhas derrotas.

Aí, parafraseando Rubem Alves em seu poema “Instantes”, “se eu pudesse viver minha vida novamente”, na próxima teria aceitado o convite do Henrique Pantarotto, feito por telefone – as pessoas conversavam por telefone antigamente – e teria ido a São Paulo me apresentar no extinto Clube da Comédia, lá pelos idos do ano de 2005. Seria convidado a integrar o elenco, como aconteceu com o Danilo? Provavelmente não. Porém, teria adicionado ao currículo uma apresentação que definitivamente valorizaria o meu “passe”. E certamente teria trocado mais de meia dúzia de palavras com o cara.

Acho que este é um bom momento para deixar bem claro que não sou gay. Não que tenha nada de errado com isso, obviamente. Mas se você, nobre leitor, viu só o título deste post, pode ter tido uma impressão equivocada.
A afinidade com o Danilo aconteceu por vários motivos, entre os quais devo destacar uma genuína preocupação com o outro – no caso, os nossos colegas de profissão – que gerou inevitavelmente uma série de decepções, a perda da ingenuidade e a aquisição de uma maturidade, um cuidado no gerenciamento de expectativas que pode ser facilmente confundido com desrespeito, desdém ou arrogância.
More on that, later. Maybe.

E o Sonho?

Ok, chegamos finalmente ao tema central que originou todo este blá, blá, blá. O tal sonho, longe, longe de ser “erótico” ou algo do gênero, começava com alguns convidados assistindo à gravação do programa e logo em seguida participando de uma espécie de reunião de negócios em um resort de altíssimo luxo com dezenas de convidados. Eu estava em São Paulo sozinho, a convite de um grande amigo que também participava do evento.
Durante horas apenas observei a interação entre aquelas pessoas, identificando os potenciais interesses e “agendas” de cada grupo ali presente.
Veio então, após uma rápida troca de ambientes para oferecer uma sessão de degustação de bebidas de vários tipos, a oportunidade tão “sonhada” (no sonho).

“Fala, Danilo, beleza?”
“E aí, cara, tudo bem?”
“Tranquilo. Seguinte, olha só. E se eu acompanhasse você no trabalho durante uma semana para identificar tudo aquilo que talvez possa estar te deixando mal ou indeciso, e apontar exatamente quais as atitudes e comportamentos podem estar atraindo energias ruins para você?”
“Seeeeiiii… e quanto você cobraria por isso?”
“Não, não é assim que funciona. Se depois desta semana você sentir alguma diferença para melhor, eu quero um Playstation 5. Se não, nem precisa pagar minha passagem de volta para Minas”.
“Deixa eu pensar…”

Neste momento eu acordei e vim para cá relatar esta série de eventos inusitados e altamente improváveis.

Mas já pensou que doidera se um dia o cara ler este texto? Putz. Sonhar, realmente, não custa nada.

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