Cores do Vento

Em 1995, 96, ainda existiam algumas salas de cinema de rua, aqui em Belo Horizonte. Eu era novo, 18, 19 anos no máximo, não lembro direito. E sempre ia nessas salas grandonas, sozinho mesmo, assistir a um monte de filmes. 

Naquele dia, especificamente, foi no Cine Acaiaca, lá pertinho de onde eu morava, ver Pocahontas, da Disney. Vi duas vezes. No mesmo dia. Fiquei lá esperando o filme começar de novo. Poucas vezes acontecia isso e obviamente era quando eu gostava muito, muito do que tinha visto.

E hoje, 25 anos depois, já velho, em um tempo onde cinemas de rua deixaram de existir, vi novamente o desenho, no Disney Plus. Mas nem precisava. Uma das músicas nunca saiu da minha cabeça. Um trecho, especialmente, me fez ter um insight que gostaria de dividir com vocês.

You think the only people who are people / are the people who look and think like you / but if you walk the footsteps of a stranger / you´ll learn things you never knew, you never knew

E por aí vai. A composição se chama “Colors of The Wind” (Cores do Vento). 

Traduzindo o trecho que mencionei – “Você acha que as únicas pessoas que são pessoas, são aquelas que se parecem e que pensam como você… mas se seguir os passos de um estranho, irá aprender coisas que nem imaginava…

Então, pensa comigo. Eu fui de esquerda a vida toda. Até entender o que a esquerda faz quando chega no poder, que é… virar ditadura. Não, não sou eu que estou dizendo isso, são os fatos e a história.

O PT como todo mundo sabe, saqueou de forma implacável, impiedosa e covarde todos os sonhos, esperanças e, obviamente, o dinheiro do país e de vária gerações. E fui, na época sem perceber, uma de suas milhares de vítimas. 

Naturalmente passei a ler, conhecer, estudar e aprender sobre outras linhas de pensamento político, filosófico e ideológico, particularmente graças ao Arthur do Val, do canal do YouTube “MamãeFalei” e também ao MBL – Movimento Brasil Livre.

Portanto, hoje em dia, e tem sido assim já a alguns bons anos, me identifico com as propostas, a realidade e o pensamento da direita. Não totalmente, claro. 

E como estamos vivendo uma era em que é possível excluir sumariamente todas as sugestões de vídeos, postagens, informações e conteúdo online que não nos interessa, acabamos vivendo em “bolhas” de realidade” onde a única coisa que chega até nós são conteúdos com os quais nos identificamos, aprovamos, compartilhamos e concordamos 100%.

Porém – como diria a canção – se seguirmos os passos de um “estranho”, iremos aprender coisas que nem imaginávamos. 

Eu conheço um médico famoso, renomado, super rico e portanto, bastante esnobe, que é “Lula livre”, viva PT, declaradamente de esquerda, o estereótipo do “socialista de Iphone”. Alçado à categoria de semideus por todos que o conhecem (afinal, médico, né?), ele prega a igualdade enquanto usufrui da ostentação. A “culpa”, claro, não é dele. Conheço outras pessoas, até inteligentes, esclarecidas, estudadas, que também são “de esquerda”. No universo dos artistas, principalmente os “globais”, isso é comum. Claro que, sem querer rotular e com todo respeito, um bando de babacas prepotentes, pseudo-donos da verdade, falsos moralistas e com discursos que beiram o retardo mental. Mas tudo bem.

A questão é. Se eles projetam esse mundo de “faz-de-conta”, esta “Certolândia” onde todas as pessoas são educadas, respeitosas, amáveis, cheias e empatia e compreensivas – ironicamente, quase que um mundo “da Disney” – talvez elas acabem transformando um ou outro pensamento racista, homofóbico, transfóbico ou violento… em algo que lembre o bom senso. 

E de vez em quando, convenhamos, deve ser bom ir “pra Disney”, nem que seja para passear, distrair, sorrir, esquecer dos problemas por alguns minutos. Portanto, vamos ser mais tolerantes com a esquerda. Coisa que, definitivamente, eles não são conosco.

Atos de vandalismo e violência feroz contra manifestantes marcam os protestos da esquerda no país.

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