Profecia Tardia

“Seu texto será sua salvação”. Palavras do meu pai, que ouço há mais de 20 anos. Tenho 43 agora e, por enquanto, a profecia não se concretizou.
Dizem que escrevo “bom”. Ou melhor, dizem que escrevo bem e que meu texto é bom. A habilidade de verbalizar ideias, sentimentos e emoções não é inerente a todos, pelo visto. Pena que não é também valorizada do ponto de vista, digamos, financeiro.
Exceções raras feitas aos “Augustos Curys” e “Paulos Coelhos” da vida, nós, reles mortais, precisamos buscar um nível mínimo de reconhecimento por meios “alternativos”, os quais, até o momento, não faço a menor ideias de quais sejam.


Frustrações e decepções acumuladas ao longo de 4 décadas de vida cobram seu preço. Ter um temperamento explosivo e um nível de tolerância zero para a idiotice da sociedade atual, também. Porém, estes são temas para outros textos.
Por ora, vamos nos ater ao seguinte raciocínio, por mais falacioso que possa parecer.
Pensemos! Considere dois ditados bem populares.
Se “a primeira impressão é a que fica” e “as aparências enganam”- pense bem! – será que não poderíamos dizer, em última análise, que “a primeira impressão é a que mais engana”?
Não tenho orgulho nenhum em dizer isso, mas sempre pareci mais novo do que realmente sou. Isso é uma merda. Poderia deixar a barba crescer, porém, Deus em seu infinito senso de humor, fez com que minha barba, aos 40 anos de idade, ficasse exatamente idêntica à de quando eu tinha 15, 16 anos. Ou seja, não engana ninguém.
Se eu tivesse nascido em um país onde as pessoas enxergam além das aparências, poderia, quem sabe?, ter alcançado um nível mínimo de reconhecimento para garantir uma agenda de apresentações, palestras, eventos etc.

Léo Lins


Entretanto (já falei do senso de humor divino, né?), tive o azar de nascer não apenas num país ‘que deu errado’ como o Brasil, como – pior ainda! – no estado de Minas Gerais! O recordista disparado em processar e censurar comediantes de todo o território nacional.
Quatro décadas de frustrações e decepções contínuas, como eu disse, cobram seu preço. E um deles, definitivamente, é um certo rancor. “Rancor”, para quem não sabe, é uma espécie de ódio “curtido” pelo tempo.
Não quer isso seja uma reclamação. Atualmente, acredito que nem se eu ganhasse 100 mil reais por mês pelos meus textos, teria condições de me sentir minimamente “aliviado” pela tardia compensação. São tantos sonhos, projetos, metas e trabalhos desperdiçados que mal dá vontade de levantar da cama no dia seguinte. Entretanto, como diriam os coach´es motivacionais, “mude o seu mindset!”… “Sua vida inteira vai mudar! Conquiste seus objetivos!”.
Falar é muito fácil, né, gente?

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