O Outro lado

O que fazer quando alguém tem a solução de um problema, porém a pessoa que está com o problema não quer resolvê-lo? Ou, pior, já desistiu de solucioná-lo de uma vez por todas?
Para minha tristeza e profunda decepção, vivenciei tal dilema durante 3 anos, quando tentei oferecer meus trabalhos – palestras, cursos, seminários, treinamentos etc. – nas escolas das redes municipais e estaduais da cidade onde moro atualmente, Belo Horizonte, MG.
Cheguei a investir em duas pessoas que se propuseram a divulgar estes trabalhos, porém sem sucesso algum. Perdi, como costuma acontecer, muito dinheiro em busca de um sonho que, para minha surpresa, o ambiente educacional parece não querer atingir.
A questão a que me propusera extinguir ou ao menos amenizar no ambiente educacional era a violência entre alunos, os conflitos entre as gerações e a falta de diálogo entre corpo docente, dicente, funcionários, etc. Sabia que as dificuldades seriam no mínimo desanimadoras, entretanto jamais poderia prever respostas como as que recebi das diretoras, vice-diretoras, coordenadoras pedagógicas e cargos similares. Eis alguns exemplos mais comuns:
“Não temos interesse porque já desistimos. Está bom do jeito que está”
“É de graça? Se for de graça, podemos marcar uma horinha no início do semestre que vem”.
“Se for palestra as professoras não vão não. Elas acham ruim, reclamam, desaninam, nunca dá certo”.
“Já tentamos de tudo, deixa pra lá”.


Muito se fala em valorizar a educação, remunerando os professores de forma digna, oferecendo benefícios diversos e investindo-se na qualidade do ensino. Aliás, este é um discurso político eterno. Constatar, por outro lado, que os próprios educadores já “desistiram”, se adaptaram ou se conformaram com a realidade de recorrentes discussões e brigas entre alunos, professores, pais, funcionários, etc., de fato o imbróglio não tem sequer uma luz de esperança no fim desse túnel de ignorância.
Antes de se falar em valorizar a educação e, por consequência, os educadores, talvez fosse interessante eles próprios almejarem um futuro mais promissor. Afinal, como aprendi muito cedo na vida, não se ajuda quem não quer ser ajudado.

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