O Que Se Quebrou Em Você?

Acontece que eu precisava chorar um pouco. Sem sono, inquieto, vim para o computador baixar alguns filmes (eu sei, é “crime”, porém entre não ter dinheiro para comprar ingresso do cinema e as denúncias da Lava-Jato, prefiro ser a “vítima” da crise, não alguém que a tenha causado) e no fim das contas, do nada, o que veio foi o bom e velho choro.


Imediatamente comecei a procurar a origem desta tristeza específica. E, mais uma vez, a lembrança mais forte, daquelas que fazem as lágrimas rolarem sem controle algum, foi a perda da Kate, minha shih-tzu, roubada por uma ex-namorada vingativa, insegura e de caráter questionável. Afinal, que tipo de pessoa é capaz de mentir, dizendo que vai garantir a “guarda compartilhada” do querido animal, para logo em seguida privar totalmente o dono, para sempre, de ver a cachorrinha novamente? Mesmo sabendo que o animal em questão jamais irá esquecer seu dono verdadeiro?

Kate Beckett de Lima Damasceno


Resta-me o simbólico alento de saber que se existe a tal reencarnação, ela talvez possa se estender aos nossos animais domésticos e, mesmo que não perceba, talvez eu reveja a “Kate” em algum momento da minha vida e possa, de novo, cuidar dela. E sim, eu assisti ao filme “Quatro Vidas de Um Cachorro”.
O fato, porém, permanece inalterado. Não me recuperei, passados 10 anos deste covarde golpe (isto sim, foi “golpe”, ok, esquerdistas de Iphone?). E, chegando ao ponto central da questão, como invariavelmente ocorre em algum momento da vida de cada um, algo se “quebrou” dentro de mim de tal forma que não há conserto. Nem remédio.


O que nos leva ao ponto central deste breve texto. O que se “quebrou” dentro de você? Qual a sua crença mais inabalável, aquela que sempre funcionou como alicerce maior, pilar de sustentação de todo o seu senso de identidade, de personalidade, e que por alguma força maior do destino – como, por exemplo, uma ex-namorada vingativa – o fez perder completamente o “rumo”, a motivação, a energia para levantar-se e começar de novo?
A ausência de um animalzinho de estimação pode ser algo banal e até mesmo bobo, para aqueles que não passaram por isso nem estão familiarizados com todo o contexto da história, que nem vem ao caso aqui. Em suma, a inevitável crise de identidade pós-trauma, aquela que nos leva a questionar os “porquês” de estarmos vivos, da existência ou não de Deus ou de alguma “força maior”, precisa de algum tipo de “válvula de escape”. Não é possível racionalizar o instinto. O instinto ao qual fui sumariamente privado, de conviver com minha cachorra, cuidar dela, mesmo sabendo que ela talvez esteja viva e bem, é algo que está totalmente dentro da minha lista de “incompetências”. Como disse, foi algo que se “quebrou”. Não estou sabendo lidar com isso, mesmo devidamente medicado, entorpecido, anestesiado.
E você? Qual foi o momento mais impactante, marcante, “memorável” – no pior sentido do termo – que o fez tomar rumos totalmente diferentes na vida e que te obrigou a se reinventar para sobreviver?
Acredito que falando sobre isso, possamos nos ajudar. Como uma espécie de “emocionalmente traumatizados anônimos”. Olá, muito prazer, meu nome é Ranieri Lima e eu não tenho mais a minha Kate.
Sua vez.

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