Glamourização da Idiotice

Desde que a internet se “popularizou” – em nível mundial – é relativamente fácil perceber uma “onda” de ignorância que vem arrastando todo e qualquer resquício de bom senso, discernimento, inteligência e sensatez entre nós, ditos, “humanos”.
No caso do Brasil, mais especificamente de Minas Gerais e, para ser ainda mais preciso, em Belo Horizonte, capital do Estado, o cenário cultural que encontrei quando me mudei para cá há quase 20 anos é inacreditavelmente mais “pobre” que nos dias de hoje, em todos os sentidos.

Contrastes


Claro que não foi apenas a internet que contribuiu para que tal fenômeno da “imbecilização coletiva” se alastrasse como focos de incêndio na Amazônia. A profusão de “realitys shows” que ostentam corpos esculturais – masculinos e femininos – igualmente desprovidos de “capital cultural” (ou “mínimo de inteligência”, como preferirem), a “avalanche” de canais DUBLADOS oferecidos pelas operadoras de TV a cabo, com cada vez menos opções de se selecionar o “áudio original”, os filmes que entram em cartaz no cinema, também dublados, a conjunção adversativa “MAS” que se confunde com a conjunção aditiva ou advérbio de intensidade “MAIS” em TODOS OS LUGARES – mídia impressa, chamadas televisivas, noticiários, sites etc. inclusive portais famosos como R7, Terra, G1 (Globo) entre outros – enfim, do orgulho de ser burro passando pela ostentação do erro, à falta de compromisso com clientes, consumidores, públicos-alvo em geral, sem falar na precariedade absoluta da prestação de serviços de teleatendimento; tudo isso faz com que eu me pergunte se minha formação HUMANA passou a ser considerada obsoleta, medieval.


Sou de um tempo em que a inteligência era considerada um valor a ser estimado, valorizado e alcançado. Uma época onde o aluno tinha respeito a priori pelo professor, não somente por se tratar de alguém mais velho ou mais experiente, mas também pela postura em sala de aula, digna de reverências e homenagens. Lembro-me perfeitamente quando celebrávamos, ao término do ano letivo, aquele que tinha sido o “melhor professor ou professora” do ano, e tal pessoa recebia pequenas medalhas ou troféus, além de provocar uma espontânea e exaltada salva de palmas da plateia, composta pelos alunos e alunas que o(a) haviam elegido. Claro que existiam também os professores ruins, de péssima ou nenhuma “metodologia” (termo usado indiscriminadamente hoje em dia), entretanto nossas críticas eram contidas, jamais verbalizadas “na cara” de tais professores ou professoras. Quem fazia isso, movido por algum acesso espontâneo de honestidade, era mandado imediatamente para a sala da diretora. E sim, descobri isso do jeito ruim, já na sala da diretora. Que coincidentemente era minha mãe também, nas horas vagas. Bons tempos.

Outros Tempos


“Antigamente” ninguém tinha vergonha de corrigir o filho malcriado ou malcomportado, mesmo estando em público. Quantas e quantas vezes presenciei verdadeiras “sessões de chinelada na bunda” em crianças ‘sem-noção’, surtadas dentro de supermercados, lojas, farmácias, clubes, entre outros estabelecimentos comerciais? Quantas vezes eu mesmo fui o “alvo” destas “chineladas” e, mesmo chorando, aprendi a me comportar de forma adequada, ou seja, RESPEITANDO as outras pessoas?
Só que, em vez de fazer aqui um discurso “saudosista” – e inútil – em prol dos “bons e velhos tempos”, prefiro procurar entender o que leva, por exemplo, uma senhora de classe média (ou alta) a deixar seu carrinho de supermercado exatamente no meio do corredor, na transversal, impedindo a passagens dos demais clientes – que talvez não sejam “tão importantes” quanto ela – e que continua a pesquisar um produto calmamente em uma prateleira, nem sempre próxima ao seu carrinho? E mais (com “i” mesmo!): Por que esta mesma senhora faz cara feia e acha ruim quando seu carrinho de compras é gentilmente empurrado para o lado, para que possamos passar?
Veja bem, a questão que pretendo levantar aqui não é apenas em relação à ignorância que acomete hoje em dia boa parte da população brasileira, mineira etc. É por quê o “fazer a coisa certa”, “ser ético”, educado, ponderado e ter um mínimo de discernimento virou sinônimo de chacota, de humilhação, de menos-valia, de menosprezo, preconceito etc.
Este é o grande contraste dos nossos tempos.

Aparência = Realidade?

Portrait of amazed man with laptop computer over gray background


Uma coisa eu sei. Fica um pouco mais fácil entender tudo isso quando nos lembramos da verdadeira mudança de paradigma imposta não só pela internet, mas pela crescente velocidade de conexão e transmissão de dados, em qualquer lugar, a qualquer momento. Dentro de uma loja de eletrônicos eu posso pesquisar em um smartphone o preço daquela TV que está diante de mim, na vitrine, por exemplo, e preferir comprá-la em outra loja, ou mesmo online.
A questão do imediatismo, realmente, tomou outras proporções. E tal imediatismo, associado à questão dos “valores” deturpados, ou seja, “quanto maior for o meu poder aquisitivo e mais coisas eu puder comprar, mais importante eu serei” vem sendo estopim para muitos conflitos, confrontos, discórdias, desconfianças e até mudanças de personalidade. Quando o “ter” se torna mais importante que o “ser”, tudo se complica. E, em nível ainda mais bizarro, quando o “parecer ter” se torna mais importante do que o “ter”, a situação costuma virar “caso de polícia”. E geralmente vira.
Ao ponderarmos a respeito das situações aqui expostas, podemos concluir, entre outras coisas, que apesar dos contrastes entre “valores” do passado e do presente, ainda prefiro manter crenças e convicções que priorizam o respeito ao próximo e a busca pelo conhecimento, em vez da ostentação da ignorância. É uma escolha minha e – obviamente – posso estar sendo ostensivamente ignorante ao compartilhá-la assim, para todos verem.

Explicação Básica
Mas
é uma palavra usada principalmente como conjunção adversativa, possuindo o mesmo valor que porém, contudo e todavia. Transmite uma noção de oposição ou limitação.
Exemplos:
Eu iria ao cinema, mas não tenho dinheiro.
Eu iria ao cinema, porém não tenho dinheiro.
Ele deu o seu melhor, mas não foi o suficiente.
Ele deu o seu melhor, contudo não foi o suficiente.


Mais é uma palavra usada principalmente como advérbio de intensidade, transmitindo uma noção de maior quantidade ou intensidade, ou como conjunção aditiva, transmitindo uma noção de adição e acréscimo. É o contrário de MENOS.
Exemplos:
Ela é a mais bonita da escola.
Ela é a menos bonita da escola.
Vinte mais dez são trinta.
Vinte menos dez são dez.

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