NUNCA SE COMPARE!(parte I)

Festival em Curitiba – 2009

Quando falamos “não pense numa laranja”, qual a primeira imagem que vem à mente? A danada da laranja, certo? De acordo com nosso inconsciente, com as “Leis da Atração” e, por consequência, com o próprio Universo, o “não” atrai justamente aquilo que queremos evitar.

 Talvez por isso, em vez do Mandamento ser “Não Matarás”, talvez fizesse mais sentido ter alguma tradução bíblica dizendo “Preservarás a vida”. Mudaria o foco, pelo menos. O “Não cobiçarás a mulher do próximo” então, nem se fala! Já imaginou um mandamento divino dizendo: “Cobice, sem medo de ser feliz, a tua própria mulher. Mesmo que ela te xingue, te corrija e discorde de você em tudo, tudo, o tempo todo, o tempo todo!”. Seria uma aflição para os redatores de novela, que teriam de ser bem mais criativos em suas “tramas”. Estes, porém, são devaneios que renderiam livros (e discussões acaloradas) à parte.

Voltemos, portanto, à nossa comparação, ou à tentativa de “não comparação”. Para continuar lendo esta crônica, você precisa se lembrar sempre disso. Existem 2 tipos de pessoas:

Ouro Minas, 2018.

Tipos de pessoas

1. As que vivem EM FUNÇÃO das expectativas que as outras pessoas têm delas, escravas da imagem, dos rótulos e dos pareceres que lhes são atribuídos pela família, amigos, parentes, colegas etc. Sentem-se perfeitamente à vontade e confortáveis com tal realidade, independentemente dos rótulos serem bons, ruins, ótimos ou péssimos. Ah, e são amplamente conhecidas na sociedade como pessoas normais. Este é um detalhe importantíssimo.

2. E existem aqueles indivíduos que preferem moldar seu temperamento, valores e personalidade do jeito mais difícil, ou seja, buscando o autoconhecimento, aprendendo com os próprios erros, revendo constantemente seus conceitos, preconceitos, descobrindo alguns talentos em meio a um número considerável de limitações e, bem, irritando profundamente as pessoas do tipo 1 ao longo deste processo. Aqueles que fazem parte deste segundo grupo, é bom que se diga, são em número consideravelmente MENOR do que o primeiro, e são consideradas “loucas”, “malucas”, “autistas”, “burras”, “teimosas” ou qualquer coisa do tipo. (“Felizes”, talvez? Eventualmente.)

Agora o SPOILER. Já sabe a qual destes dois grupos você pertence? Os dois! 

Sete Lagoas, 2011.

Que comece a bagunça!

Dependendo da fase da vida, do grau de maturidade, da capacidade de discernimento, da sua sensibilidade, do seu desenvolvimento pessoal e de outras “trocentas mil coisas”, você irá se perceber alternando entre os tipos 1 e 2 a vida inteira. Quando você tenta “ser” duas coisas ao mesmo tempo então, é certeza de desastre. 

Sendo assim, já deu para entender que é tudo uma bagunça danada, certo? Ótimo, então vamos por partes. 

Onde Sou? Para Onde Estou?

Comece a se fazer algumas perguntas. 

  1. Quando criança, seus pais sempre determinaram o que você iria fazer quando crescer? Você aceitou de bom grado a opinião deles ou divergiu radicalmente em busca daquilo que realmente tinha afinidade e gosto por fazer?
  2. A independência financeira tem que peso na sua vida? Ter uma renda fixa ao fim de todo mês sempre foi seu “sonho” desde pequeno? Ou suas preocupações eram (e talvez continuem sendo) outras, digamos, um pouco mais existencialistas? (claro que para existir tem que ter dinheiro também, ora, afinal vivemos no capitalismo!)
  3. Você se sente bem com o que as pessoas falam a seu respeito? Numa escala de 1 a 10, isto tem que peso para você? Sua autoestima está intimamente ligada à sua necessidade de reconhecimento no trabalho, em casa e na escola, por exemplo? Ou você simplesmente não liga para nada disso e somente se importa e cuida daqueles que se importam e cuidam de você?
  4. Você se sente escravo(a) da imagem que os outros fazem de você?

Bom, este é um bom começo para talvez começar a querer quebrar alguns paradigmas. 

Jornal Hoje Em Dia, 2009.

Como costumava dizer em minhas palestras, até nosso conceito de autoestima muda com o tempo. Quando eu era criança e apostava corrida na escola, na hora do intervalo, contra meninos visivelmente mais aptos a correr do que eu, e mesmo assim chegava em primeiro lugar, o passo seguinte natural para mim era obviamente entrar para as Olimpíadas. Ou combater o crime. Claro que hoje eu sei que cheguei em primeiro uma ou duas vezes só porque eles deixavam, com medo de apanhar depois, ou – ainda mais provável – que alguns deles estivessem com o pé machucado, ou doentes.

Na juventude, já um pouco mais “pé no chão”, ao ter uma redação selecionada como sendo a “melhor da escola” e colada no mural para todos verem (ou seja, zombarem, claro) eu tinha absoluta convicção que no mês seguinte eu já seria no mínimo um forte candidato a um Prêmio Nobel de Literatura – o que, obviamente, nunca aconteceu.

Hoje em dia, aos 40 anos de idade, se consigo me curvar para amarrar o sapato, sem desmaiar por falta de ar, tá ótimo! Daí para frente, como dizem os adeptos da “geração saúde”, é “só manter”! 

A “moral da história” aqui é a seguinte: se eu vivesse “refém” das minhas expectativas infantis, adolescentes, juvenis ou até mesmo adultas, eu já não estaria vivo! Gandhi certa vez afirmou que se não tivesse senso de humor teria se suicidado há muito tempo. 

É isso mesmo! A consciência das próprias fraquezas traz, “de brinde”, um “pacote” de neuroses, aflições, depressões, fobias e doenças da alma em geral. Por outro lado, traz também um alívio, quando conseguimos rir delas, ou seja, de nós mesmos. 

Já quis ser atleta, goleiro profissional, super herói nas horas vagas (se não tivesse prova na manhã seguinte e eu pudesse dormir bem mais tarde, pois na minha cabeça os criminosos só faziam ‘coisas erradas’ à noite), escritor famoso, jornalista, diretor de uma grande empresa, ator, humorista, comediante, palestrante, professor, ou pelo menos famoso – como ocorre hoje em dia com as pseudocelebridades, que participam de “reality shows” e/ou qualquer que seja a “polêmica do momento” na internet, para automaticamente serem catapultadas a um efêmero estrelato.

Em vez de me corroer em arroubos autodepreciativos, decidi finalmente encarar tudo sob outro aspecto. Em uma época onde praticamente qualquer um pode ficar ou ser “famoso” na internet, é preciso um talento muito particular para permanecer no anonimato! E isto tem uma explicação até razoável!

(continua no próximo post)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s